Notícia
Adriana Arruda
- Publicado em
21-10-2026
13:00
Guia gratuito desmente seis fake news sobre democracia
O programa de extensão Escola sem Fake News lançou a segunda edição do guia "Enfrentando a desinformação nas escolas", desta vez com o tema "Democracia em foco". O programa é sediado na UFSCar e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Campus Arapiraca. Voltado a estudantes e docentes do Ensino Médio, o material foi elaborado a partir da escuta de professores e gestores da educação básica e oferece subsídios para o debate em sala de aula. O guia é gratuito e pode ser baixado em www.escolasemfakenews.com.
A consulta aos profissionais identificou seis desinformações sobre democracia recorrentes nos contextos escolares. Entre elas, estão afirmações de que programas sociais não ajudam as pessoas a mudar de vida, de que todos os políticos são corruptos, de que o voto impresso é necessariamente mais seguro, de que defender os direitos humanos significa defender criminosos, de que o Brasil está se tornando um país comunista e de que a liberdade de expressão permitiria dizer qualquer coisa sem consequências legais. No guia, essas afirmações são problematizadas e refutadas com base em informações verificáveis e em conhecimentos produzidos por diferentes campos científicos. Os argumentos e as orientações sobre cada uma podem ser conferidos no material.
"Ao abordar essas questões, buscamos não apenas apresentar informações que permitam compreender por que tais afirmações são equivocadas, mas também estimular uma reflexão crítica sobre os sentidos que produzem, os interesses que podem sustentar sua circulação e seus efeitos sobre a vida democrática", afirma Mariana Rafaela Batista Silva Peixoto, coordenadora-geral da Escola sem Fake News e docente do Departamento de Letras (DL) da UFSCar.
A publicação integra uma série que o programa começou a desenvolver em 2025. A primeira edição tratou da desinformação sobre gênero e raça. Segundo Peixoto, a proposta surgiu da necessidade de produzir materiais educativos que circulem nas escolas e contribuam para enfrentar o problema de forma coletiva. "Partimos do entendimento de que esse fenômeno não pode ser enfrentado apenas por meio de iniciativas individuais, uma vez que envolve questões políticas, sociais, econômicas e tecnológicas que demandam ações articuladas entre diferentes setores da sociedade."
O guia orienta, ainda, como checar uma informação antes de compartilhá-la. Ao receber um conteúdo, a recomendação é observar como pessoas ou grupos são representados nele, se ele prejudica alguém, se reproduz preconceitos ou estereótipos e quais as consequências de espalhá-lo. O passo seguinte é consultar fontes confiáveis. Entre elas estão órgãos oficiais, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Câmara, o Senado, o IBGE e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), além de instituições públicas de ensino, organizações internacionais, como ONU e Unesco, e agências de checagem, como Lupa, Aos Fatos e Projeto Comprova.
Efeitos sobre a participação política
Para a coordenadora, o momento atual é marcado pela desconfiança em relação às instituições democráticas. Nesse cenário, a desinformação tem sido usada como estratégia para deslegitimá-las. "Trata-se de um fenômeno preocupante, porque a desinformação não afeta apenas a compreensão que temos de determinados acontecimentos, mas também interfere na maneira como nos relacionamos com a política, com as instituições e com os próprios direitos."
De acordo com Peixoto, o objetivo do guia vai além do público escolar. "Nossa intenção é contribuir para que as pessoas compreendam melhor a natureza da desinformação, reconheçam algumas de suas estratégias de circulação e tenham acesso a conhecimentos que lhes permitam avaliar criticamente as informações que recebem."
Ela cita como exemplo a afirmação de que todos os políticos são corruptos. "Além de não corresponder à realidade, essa generalização é problemática porque alimenta a descrença nas instituições, produz sentimentos de apatia e desencoraja a participação política da população. Quando as pessoas passam a acreditar que todos os representantes são iguais e que nada pode ser feito para transformar a realidade, acabam se afastando justamente dos espaços em que poderiam contribuir para essa transformação."
A docente lembra que a democracia não se esgota no exercício do voto. "A transformação efetiva da nossa sociedade depende da participação política contínua, o que inclui acompanhar as ações dos representantes eleitos, fiscalizar o cumprimento de suas propostas e cobrar transparência."
A expectativa da equipe é que o material ultrapasse os muros das escolas e estimule conversas em outros espaços de convivência. "Ao discutirmos os efeitos da desinformação sobre a participação política, queremos chamar a atenção para algo fundamental: a democracia não é apenas um direito que exercemos periodicamente, mas uma construção coletiva da qual precisamos participar cotidianamente."
A Escola sem Fake News promove ações públicas e gratuitas de formação docente em educação midiática. O foco é o enfrentamento da desinformação e dos discursos de ódio em contextos escolares e universitários. As ações incluem atividades formativas, eventos e produção de materiais didáticos para professores da educação básica e estudantes de licenciatura. Mais informações estão em www.escolasemfakenews.com.
A consulta aos profissionais identificou seis desinformações sobre democracia recorrentes nos contextos escolares. Entre elas, estão afirmações de que programas sociais não ajudam as pessoas a mudar de vida, de que todos os políticos são corruptos, de que o voto impresso é necessariamente mais seguro, de que defender os direitos humanos significa defender criminosos, de que o Brasil está se tornando um país comunista e de que a liberdade de expressão permitiria dizer qualquer coisa sem consequências legais. No guia, essas afirmações são problematizadas e refutadas com base em informações verificáveis e em conhecimentos produzidos por diferentes campos científicos. Os argumentos e as orientações sobre cada uma podem ser conferidos no material.
"Ao abordar essas questões, buscamos não apenas apresentar informações que permitam compreender por que tais afirmações são equivocadas, mas também estimular uma reflexão crítica sobre os sentidos que produzem, os interesses que podem sustentar sua circulação e seus efeitos sobre a vida democrática", afirma Mariana Rafaela Batista Silva Peixoto, coordenadora-geral da Escola sem Fake News e docente do Departamento de Letras (DL) da UFSCar.
A publicação integra uma série que o programa começou a desenvolver em 2025. A primeira edição tratou da desinformação sobre gênero e raça. Segundo Peixoto, a proposta surgiu da necessidade de produzir materiais educativos que circulem nas escolas e contribuam para enfrentar o problema de forma coletiva. "Partimos do entendimento de que esse fenômeno não pode ser enfrentado apenas por meio de iniciativas individuais, uma vez que envolve questões políticas, sociais, econômicas e tecnológicas que demandam ações articuladas entre diferentes setores da sociedade."
O guia orienta, ainda, como checar uma informação antes de compartilhá-la. Ao receber um conteúdo, a recomendação é observar como pessoas ou grupos são representados nele, se ele prejudica alguém, se reproduz preconceitos ou estereótipos e quais as consequências de espalhá-lo. O passo seguinte é consultar fontes confiáveis. Entre elas estão órgãos oficiais, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Câmara, o Senado, o IBGE e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), além de instituições públicas de ensino, organizações internacionais, como ONU e Unesco, e agências de checagem, como Lupa, Aos Fatos e Projeto Comprova.
Efeitos sobre a participação política
Para a coordenadora, o momento atual é marcado pela desconfiança em relação às instituições democráticas. Nesse cenário, a desinformação tem sido usada como estratégia para deslegitimá-las. "Trata-se de um fenômeno preocupante, porque a desinformação não afeta apenas a compreensão que temos de determinados acontecimentos, mas também interfere na maneira como nos relacionamos com a política, com as instituições e com os próprios direitos."
De acordo com Peixoto, o objetivo do guia vai além do público escolar. "Nossa intenção é contribuir para que as pessoas compreendam melhor a natureza da desinformação, reconheçam algumas de suas estratégias de circulação e tenham acesso a conhecimentos que lhes permitam avaliar criticamente as informações que recebem."
Ela cita como exemplo a afirmação de que todos os políticos são corruptos. "Além de não corresponder à realidade, essa generalização é problemática porque alimenta a descrença nas instituições, produz sentimentos de apatia e desencoraja a participação política da população. Quando as pessoas passam a acreditar que todos os representantes são iguais e que nada pode ser feito para transformar a realidade, acabam se afastando justamente dos espaços em que poderiam contribuir para essa transformação."
A docente lembra que a democracia não se esgota no exercício do voto. "A transformação efetiva da nossa sociedade depende da participação política contínua, o que inclui acompanhar as ações dos representantes eleitos, fiscalizar o cumprimento de suas propostas e cobrar transparência."
A expectativa da equipe é que o material ultrapasse os muros das escolas e estimule conversas em outros espaços de convivência. "Ao discutirmos os efeitos da desinformação sobre a participação política, queremos chamar a atenção para algo fundamental: a democracia não é apenas um direito que exercemos periodicamente, mas uma construção coletiva da qual precisamos participar cotidianamente."
A Escola sem Fake News promove ações públicas e gratuitas de formação docente em educação midiática. O foco é o enfrentamento da desinformação e dos discursos de ódio em contextos escolares e universitários. As ações incluem atividades formativas, eventos e produção de materiais didáticos para professores da educação básica e estudantes de licenciatura. Mais informações estão em www.escolasemfakenews.com.