Notícia
Investigar a diferença de prevalência da obesidade em mulheres que são ou foram vítimas de violência por parceiro íntimo (VPI) das que não são e não foram vítimas de VPI em São Carlos (SP). Este é o objetivo central de uma pesquisa realizada como conclusão de residência no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e da Pessoa Idosa na Atenção às Doenças Crônicas da UFSCar. O projeto é conduzido pela psicóloga e residente Camila Naomi Yamamoto, sob orientação de Daniela Xavier de Souza, psicóloga da Unidade Saúde Escola (USE), também da UFSCar.
De acordo com a pesquisadora, a literatura sobre o tema ainda é limitada e com achados heterogêneos, indicando lacunas relevantes no conhecimento e apontando maior necessidade de aprofundamento científico sobre essa relação. "Alguns estudos, por exemplo, indicam uma associação positiva entre situações traumáticas e hábitos alimentares disfuncionais. Um estudo de 2024 encontrou maior chance de obesidade abdominal e histórico de VPI, mas a literatura ainda não tem isso de forma clara", explicou. Yamamoto complementa que os resultados da pesquisa podem contribuir para o conhecimento em relação aos impactos de uma exposição à situação de violência por parceiro íntimo, além de reforçar a importância de novos estudos relacionados sobre as repercussões da VPI na saúde física da mulher.
A expectativa é que a pesquisa encontre maior prevalência de obesidade em mulheres com histórico de violência por parceiro íntimo quando comparadas àquelas sem histórico de VPI, evidenciando uma associação estatisticamente significativa. "Os resultados do presente estudo poderão contribuir para o conhecimento em relação aos impactos de uma exposição à situação de violência por parceiro íntimo, seja ela psicológica, sexual e/ou física, destacando a importância de novos estudos", avalia. No entanto, Yamamoto reforça que, como todo estudo transversal, as conclusões da presente pesquisa são apenas de associação, não sendo possível afirmar relação causal entre as variáveis.
Para realizar o projeto, são convidadas mulheres, acima de 18 anos, que residam em São Carlos e tenham vivido um relacionamento heterossexual por, no mínimo, um mês. As mulheres interessadas em participar devem preencher este formulário, até o dia 30 de outubro. Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 92110325.0.0000.5504).