Notícia
Texto escrito por Vanessa Ayres Pereira*
Pais, cuidadores e profissionais que atendem pessoas com autismo ganharam mais uma fonte de apoio: uma coleção de manuais em linguagem acessível para ensinar habilidades do dia a dia, como comunicação, autocuidado e leitura. O material foi apresentado em 10 de setembro na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Distrito Anhembi, durante a mesa "Ensino de habilidades básicas para pessoas com autismo".
A mesa reuniu Camila Graciella Santos Gomes, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE), sediado na UFSCar, e diretora do Centro de Estudos e Intervenção (CEI) para o Desenvolvimento Humano, sediado em Belo Horizonte (MG), e Analice Dutra Silveira, terapeuta ocupacional e também diretora do CEI. A conversa foi mediada por Patrícia Negrão, jornalista e ativista pela inclusão, como parte da programação do Espaço Educação da Bienal.
As pesquisadoras apresentaram estratégias para ensinar habilidades consideradas a base para aprendizagens futuras, como comunicação, interação social e leitura. O conteúdo apresentado está reunido em quatro livros escritos por Gomes e Silveira:
- Ensino de Habilidades Básicas para Pessoas com Autismo;
- Ensino de Habilidades de Autocuidados para Pessoas com Autismo;
- Ensino de Habilidades de Leitura para pessoas com autismo;
- Intervenção Precoce para Crianças com Autismo.
Escritos em linguagem simples e com recursos ilustrados, os manuais foram pensados especialmente para que pais e cuidadores entendam não só o que pode ser ensinado, mas também como aplicar esse ensino no dia a dia, de forma planejada. "Os manuais tornam o conhecimento mais próximo e aplicável, ajudando seus leitores a compreender não apenas o que pode ser ensinado, mas também como colocar as orientações em prática de forma planejada e adequada às necessidades de cada pessoa com autismo", ponderou Gomes.
As pesquisadoras também discutiram como organizar esse ensino em casa ou em atendimento, acompanhar os avanços da criança e adaptar as atividades a cada caso, com base na intervenção comportamental intensiva, uma abordagem de ensino estruturada e apoiada em evidências científicas. Algumas dessas evidências foram produzidas no CEI, que há mais de 10 anos desenvolve estudos para aprimorar processos de capacitação de familiares e terapeutas para intervir com crianças autistas.
Para Gomes, participar de eventos abertos ao público, como a Bienal, ajuda a levar às famílias um conhecimento que costuma ficar restrito às universidades. "O Brasil conta com uma produção técnica e científica relevante sobre o tema, capaz de contribuir para práticas mais inclusivas e para a ampliação da autonomia, da participação e da qualidade de vida. Esse conhecimento não pode permanecer restrito às universidades e aos círculos especializados.", afirmou a pesquisadora.
*Texto de autoria de Vanessa Ayres Pereira, bolsista de Jornalismo Científico financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE).
Legenda da foto: Camila Graciella Santos Gomes (à esquerda) e Analice Dutra Silveira (ao centro) são entrevistadas por Patricia Negrão (à direita), jornalista e ativista pela inclusão, no Espaço Educação da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Distrito Anhembi. (Foto: @pmatheusphoto/Divulgação Editora Appris)