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Mariana Pezzo - Publicado em 04-03-2026 16:00
Escola SP em Microplásticos é oportunidade para jovens cientistas
Escola abrangerá áreas estratégicas de pesquisa (Imagem: Canva).
Escola abrangerá áreas estratégicas de pesquisa (Imagem: Canva).
Entre 1 e 11 de setembro de 2026 ocorre, em Campinas, a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos (ESPCA em Microplásticos), voltada à formação de pesquisadores e pesquisadoras em início de carreira para enfrentar os desafios da poluição plástica por meio da pesquisa, do pensamento crítico e de políticas públicas baseadas em evidências. Durante a Escola, 50 participantes brasileiros e 50 de outros países terão a oportunidade de conviver de maneira intensiva com cientistas e formuladores de políticas públicas de diversas regiões do Brasil e do mundo, referências na área, participando de aulas teóricas e práticas e sessões de pôsteres e desenvolvendo projetos curtos sob mentoria desses especialistas. 

As inscrições se iniciam em 20 de março, através de formulário próprio a ser divulgado no site da ESPCA em Microplásticos. O público-alvo são estudantes de mestrado e doutorado, além de pós-doutorandos e pesquisadores em início de carreira, vinculados a instituições brasileiras e internacionais e com formação em um conjunto abrangente de disciplinas relacionadas à temática. Para participar, as pessoas candidatas precisam apresentar uma série de documentos, dentre eles uma carta de intenções, um resumo do projeto de pesquisa que desenvolvem, uma carta de recomendação de seu orientador ou orientadora e o histórico acadêmico, além de atestar proficiência em Inglês, língua oficial do evento. Os selecionados receberão apoio financeiro que inclui transporte, acomodação, alimentação e seguro-viagem (para participantes provenientes de fora do Brasil).

A organização da Escola, que acontece nas dependências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é uma parceria entre Unicamp e UFSCar, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os grupos de pesquisa responsáveis pela organização são o Laboratório de Química Ambiental (LQA), da Unicamp, e o Grupo de Pesquisa em Poluição Plástica (GPPP), da UFSCar.

Objetivos e critérios de seleção
A Escola apostará na interdisciplinaridade e na visão integrada, com atividades divididas em quatro eixos de estudo: polímeros e suas substâncias químicas adicionadas; interações superficiais entre plásticos, aditivos e poluentes ambientais; impactos ecotoxicológicos; e debate público e ações viáveis baseadas em evidências e voltadas à formulação de políticas regulatórias.

Walter Waldman, docente na UFSCar e vice-coordenador da Escola, explica que esses eixos pretendem abarcar, juntos, a amplitude e a complexidade do problema da poluição plástica, fornecendo uma visão multidimensional a respeito desses materiais e seus efeitos no ambiente. Essa visão, afirma o docente, é particularmente relevante no contexto do Tratado Internacional sobre Poluição Plástica, o qual, uma vez implementado, será estratégico para o meio ambiente, a saúde, o comércio e a bioeconomia.

Microplásticos possuem um extraordinário potencial de transporte pelo ar, pela água e pelo solo, e pesquisas recentes os têm encontrado até mesmo em lugares bastante remotos como topos de montanhas e grandes desertos. Cassiana Montagner, docente na Unicamp e coordenadora da ESPCA em Microplásticos, detalha que, além do compartilhamento de conhecimentos analíticos, técnicos, práticos, laboratoriais e de campo, a Escola também será fundamental para atuar justamente no enfrentamento de problemas reais relacionados a essa presença marcante dos plásticos no ambiente. "A ESPCA em Microplásticos pretende abarcar áreas estratégicas de pesquisa e trabalhar com a expertise de cada convidado e participante, tendo como norte a formação de uma base sólida de articulação mundial capaz de responder aos desafios que a poluição por esses materiais traz para a biodiversidade e a vida em todas as suas formas."

Walter Waldman complementa que o processo seletivo buscará proporcionar o máximo possível de diversidade global e regional na seleção dos participantes. "Essa representatividade nos garantirá a formação de uma rede nacional e internacional de pesquisa em microplásticos, fazendo do Brasil um ator fundamental nas discussões sobre regulação." A equidade de gênero e raça também será um dos critérios de seleção. 

Montagner e Waldman, junto com Evaldo Espíndola, docente na Universidade de São Paulo (USP), são pesquisadores principais no projeto apelidado de Plast-Agrotox, que estuda os destinos e impactos de microplásticos e agrotóxicos em matrizes aquáticas e terrestres, também financiado pela Fapesp, na modalidade Projeto Temático. "Estamos em um momento de nossas pesquisas, tanto no Plast-Agrotox quanto em outros projetos nacionais e internacionais, em que muitos resultados importantes a respeito da ocorrência, dos destinos, do comportamento e dos efeitos de microplásticos começam a aparecer", afirma Montagner, que também é a coordenadora do Plast-Agrotox. Ela acrescenta que, do ponto de vista analítico, a área é muito desafiadora, e é nesse sentido que a ESPCA em Microplásticos trará avanços bastante significativos. "Passaremos duas semanas imersos em perspectivas e metodologias de pesquisa sobre microplásticos, em seus diferentes aspectos. Esse aprofundamento irá dar suporte aos novos pesquisadores e às lideranças jovens na área. Isso nos ajudará a impulsionar a pesquisa nacional", conclui.